NEM SÓ DE SINS VIVERÁ O HOMEM... 

 

 

            Verdade seja dita, a verdade verdadeira, é que a vida tem muitos nãos. Muito mais do que sins. Posso comer sorvete e pizza todo o dia? Não! Posso sair comprando todas as roupas que eu quero? Não! Ah, então pelo menos aquela lá que eu gostei tanto? Esse mês, não! 
           E isso não é, necessariamente, um problema... a vida nada mais é do que um balanço, uma gangorra entre os sins e os nãos. Saem mais felizes os que conseguem ir em busca dos sins, sendo tolerantes aos nãos. É fato que só chegaremos aos nossos objetivos se sobrevivermos às inúmeras portas na cara da vida. 
           Uma questão que me preocupa diariamente é o quanto as gerações atuais e as que estão chegando têm pouca tolerância à frustração. Basta um simples nãozinho, daqueles bem de levezinho (mas sempre ardido, não tem jeito), que as pessoas desmoronam. É chegado o momento de refletirmos sobre o nosso papel nessa questão socialmente alarmante. E, querendo ou não, ela nos leva direto para os sins que damos aos nossos filhos. 
          É, é difícil educar. E, muito difícil, mas dolorosamente difícil, é dizer não para a pessoinha que a gente mais ama. Uma parte de nós. Aquela parte para a qual nós gostaríamos de dizer sempre sim. Que mereceria todos os sins do mundo. Mas amar vai muito além do sim. Ao contrário do que a gente inúmeras vezes faz, ao deixar nosso emocional dominar a cena e nos fazer sentir abomináveis ao negar qualquer coisa para aquelas criaturinhas fofas que nós produzimos, nossos filhos precisam de nãos. Eles precisam saber que não podem tudo, e que tudo bem, apesar dos nãos, existem muitos sins, e vai ficar tudo bem. Eles sobreviverão e seguirão em frente. E é nosso papel ensinar isso a eles. Se não formos nós, será a vida... e a vida não sopra depois!